A violência doméstica segue como um tema central na segurança pública de Jaraguá do Sul, conforme dados apresentados recentemente pelo delegado Augusto Brandão, da Delegacia da Mulher. O balanço aponta que, embora as ameaças tenham caído de 678 registros em 2024 para 639 em 2025, houve um crescimento de aproximadamente 10% nos casos de lesão corporal. O índice saltou de 306 ocorrências no ano anterior para 337 no último período.
Além das agressões físicas, o levantamento detalhado de 2025 revela uma diversidade de crimes cometidos no ambiente familiar da cidade. Foram contabilizados 65 casos de sequestro e cárcere privado, 65 registros de violência psicológica e 65 de injúria, além de 25 episódios de perseguição e 21 descumprimentos de medidas protetivas. Na esfera dos crimes sexuais, o município somou nove registros de estupro de vulnerável e quatro de estupro.
A autoridade policial alerta para o fenômeno da subnotificação, já que muitos episódios de violência ocorrem dentro das residências e não chegam ao conhecimento das forças de segurança. Fatores como medo, dependência financeira e a dificuldade em romper o ciclo de abusos impedem que as vítimas formalizem as denúncias. Esse cenário indica que a realidade dos abusos pode ser ainda mais severa do que os números oficiais demonstram.
O panorama local reflete uma preocupação que se estende por todo o território catarinense, que encerrou o ano de 2025 com 52 feminicídios registrados. Segundo a Defensoria Pública de Santa Catarina, o estado mantém uma média diária de quase 200 ocorrências de violência doméstica. Os dados reforçam a necessidade de fortalecimento da rede de proteção e da conscientização sobre as diferentes formas de agressão, que incluem danos psicológicos e sexuais.